05 julho, 2018


Hoje me deparei com um espelho que tenho evitado. Palavras... Até então ocultas e no anseio de tomarem corpo, o fizeram num discurso irreconhecível. Confuso. Em estruturas que ecoaram alguém que nunca fui. Apenas vi que você teve controle sobre quem eu acho que sou e me fez ser quem eu disse que jamais seria. Agora tento digerir fragmentos do que idealizei, na tentativa de não mais amargar meus lábios com as palavras não ditas e todas que foram mal ditas. E convivo com a azia que é querer me vingar pelo sentimento ruim que se instalou em mim. Que em tão pouco tempo transformou meus dias em profundo desgosto. Agradeço por me mostrar mais uma vez o quanto é preciso estar atento ao que nos fazem, mas principalmente ao que nos deixam de fazer.

04 julho, 2018

se só parte de mim habita essa terra
a outra parte habita os sonhos
ter pé no chão é coisa boba
gosto mesmo é de estar entre as nuvens



Escrito em 24/06/2018 - também não foi postado antes por falta de coragem, mas também por estar totalmente fora do chão. Literalmente nas nuvens. Nuvens de um céu chuvoso. 

Coragem aos que amam e se entregam de coração
Aos que não temem os encontros aleatórios
E se permitem viver pelos acasos, entre os descasos
Que não se lembram de quando chegaram e nem onde ficaram
Do que não decidiram ou deixaram de fazer
Aos que vivem sem contar passos ou espaços
E que não seguem traços nem embaraços.






Escrito em 18/06/2018 - não postado antes por falta de coragem.

01 maio, 2018


Hoje, aqui nesse barco, deposito todas as mágoas
E o entrego para naufragar no mar do desgosto
Nas águas desse mar não vou me afogar
Pois de desgosto muita gente já morreu
E longe de mim ser mais um que se perdeu
Nessa luta louca contra o sufoco do que era seiva
No fundo azul do oceano que é viver

13 novembro, 2017

Hoje, perdido, em meus braços me encontrei.
E depois de suas palavras nunca me senti tão só.
Como é que pode alguém ser tanto e ao mesmo tempo nada?
Quando atualizei a caixa de entrada e vi ali seu nome,
Só coube a mim controlar o coração, pois as lágrimas...
Partiram antes que eu percebesse.
E ali, lendo você, senti que sou seu refém.
Logo depois, na escadaria, do seu lado,
Percebi o quanto ainda me move, o sentimento por você.
Mas depois de friamente me abordar,
Sem ao menos considerar que você doía aqui,
Decidi que estar só não é estar perdido

E que entre meus braços está o melhor lugar para me encontrar.

01 outubro, 2017

Não espere que eu vá me entregar assim
Criei casca grossa nesse tempo que vivi
Ontem mesmo abri os olhos e bem vi
Que entre todas as palavras que diz
Existem subentendimentos e ouvi
E entendi muito bem que não está aqui
Depois daquela noite quando me despi
E percebi que não preciso esperar de você
A mesma nudez que vem de mim
Talvez seja certo que se vá
E deixe que eu me vista mais uma vez
E proteja minha pele com frias vestes solitárias

Que hoje cedo teci na premissa de um fim

27 setembro, 2017

Nas suas falhas percebi

o homem incrível que é
Você ainda dói em mim, mesmo tendo certeza de que não te amo mais (será?)
E voltar para casa, com o peso do fracasso, é a forma mais cruel de reviver você
Não deu tempo de te desconstruir aqui, nossos planos permaneceram vivos
Em cada rua que passamos ou lugar que visitamos, tudo tem você e seu sorriso
E no combo, nossos sonhos afogados em incertezas e presos de diferentes maneiras
Não sei como me desfazer desses pedaços seus que deixei em cada canto daqui
Pois não é ruim reencontrar essas lembranças quando retorno a Goiânia
É um pouco sofrido, na verdade, e uma tarde de domingo não tem o mesmo sentido
Mas ainda sim não consigo apagar nada que nos pertenceu e a forma como tudo se deu
O banco do primeiro beijo carrega o mesmo frio na barriga de te encontrar (16/08/2015)
O apartamento com minhas coisas e onde suas malas ficavam (no canto perto da tomada)
A cama e seu lado preferido de dormir que nunca consegui ocupar (o esquerdo)
O chuveiro onde nos encontramos várias vezes no aperto, dentro de abraços (ou no sexo)
O espelho onde se arrumava toda vez e por reflexo eu te observava se vestir (e despir)
O estacionamento onde sempre brigávamos por sua péssima mania de não me ouvir
De fato, você era horrível ao estacionar, mas me conduzia perfeitamente bem
O mercado que fazia seu nhoque preferido e que eu sempre comprava na sua falta
E na cozinha ao comer, me lembrava de você, ali em pé com um copo de leite (nunca com café)
Evitando fazer bagunça naquela cozinha minúscula que mal cabia nossa companhia (1x/mês)
E depois de quase dois anos tudo isso permanece intacto em mim (um pouco apagado)
Cada detalhe que construí, cada mania que convivi (mas que no fundo odiei, nem sempre respeitei)
E hoje decidi que voltar vai me fazer bem e sem medo de te perder de vez (pois você já o fez)
Poderei te desconstruir em mim, parando de te reacender a cada vez q venho aqui
Para poder me dar espaço e renascer dentro desse turbilhão que foi você (um furacão)
E arrastou de mim a coragem de seguir, me deixando apenas com medo (inseguro)

De nunca mais ser tão importante para alguém como fui para você (no seu dizer).
E hoje, há 12 horas de casa
Sinto todo o fracasso sobre as costas
Correr foi uma opção bem saudável
Ficar já não era mais suportável
E sobre isso e qualquer outra questão

Sinto que cresci
De todo peso que ganhei, culpo o ódio que me alimentei
As inúmeras culpas, o assédio e as frustrações que vivi aqui
Ir para casa é comer comida boa, temperada, como sonhei

E no prato que me espera, não mais dor, agora há pequi
Da terra de onde vim
A vegetação é diferente
O povo chama de cerrado

Mas eu chamo de sorrisos