19 dezembro, 2011

Procurei um predicado, mas foi impossível

            Mais um ano escolar se passou, mais lágrimas são contidas (apenas no primeiro parágrafo, após isso, terei que me secar), talvez por não querer aceitar que cresci e que tenho que seguir em frente. A hora de dar mais um passo rumo a incerteza, a saudade. Aproximar-me cada vez mais da distância, criar elo com a falta, que não esperava sentir tão rápido.
             Lágrimas já estão caindo. Diferentes sentimentos, sensações. Alegria – por ter conhecido maravilhosas pessoas -, tristeza – por deixar um lugar que fez parte de mim por sete anos – e outras coisas mais, as risadas, as brincadeiras, os amores, as brigas, tudo vai ser pra sempre, lembranças intensas.
            Eu era apenas um garoto assustado, e mais gordo eu acho, quando me matriculei no melhor colégio da cidade. Aquele com grandes muros laranjados e altos portões verdes. Dirigido pela famosa Irmã Lenice, uma freira da Congregação Escravas do Divino Coração, que segundo algumas pessoas, implantava o terror. Mentira, tenho grande admiração por ela. É difícil manter a ordem de um colégio por tanto tempo. Pra você, um grande abraço.
            Com o passar de algumas semanas me senti melhor. Os primeiros dias que deveriam ser os piores, não foram, me acostumei rápido. Logo não me sentia tão pequeno. Fiz amigos, reencontrei alguns. Quer melhor?
            Lembro-me bem das ótimas aulas da Inalda, que me ensinou português e corrigiu minhas primeiras redações. Suas aulas de fora da sala, sempre inovando, das histórias que contava... Tia Geni e suas contas. Luzia e seus desenhos sobre datas comemorativas. Foram ótimas experiências. Tenho com grande estima.
            Meus primeiros amigos, aqueles que eu tinha ciúme, fazia provas e não aceitava partilhas. Como irmãos... Allef, Paula, Juvânia, Aline, André... Não há como deixar para trás os dias de quatro aulas, os quais aproveitados para “velar” os amigos. Sim, foi irônico, mas na época era engraçado.
            Uma vez, minha turma vaiou uma professora antes do sino do recreio, ela nos deixou dentro da sala e ainda nos vaiou de volta. Ri descontroladamente, dela sozinha tentando revidar. Só que havia bons alunos na sala, assim como eu, e fomos liberados, quase no fim, mas fomos.
            As aulas da Neusa, tia Nilva – tínhamos um caderno só para desenhos e era aula de ciências. Tipos de caule, raízes, os reinos e a pirâmide alimentar -, cantar Louis Armstrong nas aulas da Eliane? Comédia. “I see trees of green, red roses tôo”.
            Algumas brigas também ficaram marcadas, principalmente as de meninas, os puxões de cabelo... Nós éramos bons e separamos todas – nunca foi preciso, gritávamos incentivando e elas paravam por cansaço.
            Mais natais e viradas de ano, turmas novas, amizades novas. Conselhos de clase que me gelevam, fui perdendo o medo e soltando a língua, conversava o tempo todo. As paredes são testemunhas. Idas à xerox somente pra passear pelo pátio. Isso fica aqui, nenhum professor imagina isso de mim. Eu espero.
            Épocas de Rebelde e Naruto, não eram ruins. Chatas eram as aulas da “Mãe dos Sete Monstrinhos”. Alguém lembra?
            Boas gargalhadas com os teatros da Ronise, a gritaria nos corredores, os tombos na escada, que fazem parte afinal. Nossas gincanas da Paz, desde o 9º ano da equipe branca. Durante quatro anos torcendo muito e é óbvio, vencendo.
            Victor, um grande professor, cujas aulas levarei pra toda vida. O quanto me estressou, até me desenhar pra explicar matéria ele foi capaz.
            A máfia da sala 15, os apelidos engraçados – mandiocão, pepino e cenourão, não é Taisa? As histórias da fuga do hospício com a Thaís, queijo e presunto, e a mentora Ludimila. As seis inseparáveis amigas, que sempre lanchavam no Minas Gerais, fora quando levavam lanche pra o colégio nos deixando com vontade – Bell "doce igual Mel", Malú, Daiane, Iza, Laiane e Caroline.
            E como sempre, existem as despedidas, não é mesmo Matheus? Quanta falta você faz! Agora nem me importo mais quando me chamam de pão-de-queijo, mas quando ele começou com isso, eu ficava revoltado.
            Enfim o ensino médio, estudar cedo e poder comprar pão recheado (de tarde era só sonho). Acho que muitos tinham essa vontade. Começava então a necessidade de amadurecer, já estávamos no 1º ano, grande avanço, mais dois anos e faríamos vestibulares. Saudade das encenações da Marcella, da Idelma nos chamando de Tico e Teco. A Gabriela Pelica Lis Village Lemes metida e a Ariane risonha – era o que eu achava.
            O castelo formado por luz e neblina. Invenção da Izabella. As brigas com a Camila e com a Aline, que chegava estressada e nos ignorava.
Eterna mesa de xadrez que sediava os ensaios, tombos, trabalhos, confraternizações de fim de ano e bagunças.
Conversas com a Ludi. O grupinho do Alexandre, otários da turma G, passalaruzinhos, vadiengos, bobagentos... Raianny, Samara, Verônica, Juliana, Marcelo, João Lucas e Marlene, são mais alguns tatuados em minha vida.
As Marias da minha sala, Vanessa, Janaína e Thaiene. Os Cuzões João, Pedro, Gabi. A leiteira (Laís) e o Bem-te-vi (Paulo). A Polly Pocket. Mari Goulart e Shallang. Fernando, Sthefanny, Camilla e Ariane. Ana Carolina, que me  azucrinava. Como descrever todos vocês? Não é possível, as lágrimas não deixam. Tudo acabou, não vou rir com vocês, muito menos vê-los com tanta freqüência.
O terceiro ano vai ficar marcado, foi tão bom, nossos trotes, as perucas coloridas, os brinquedos, os meiões. A turma unida e desunida, tudo ao mesmo tempo. Com brigas e sem brigas, alegre ou triste, nunca perdia a piada. Pessoal do fundão, o Vitor bobão. Anas Carlas Alves, os Gustavos, Castro e Pinto, minha Karhen Portilho, fanática por gatos, Dulce e F.r.i.e.n.d.s. Karitinha, minha amiga desde os 6 anos. A Cadelinha de Madame (Karol) e o Joelson que me chamava de Pooh. Eu quero voltar e ter mais dias com vocês, apenar rir mais.
Foram tantos momentos... Como por pra fora tudo que está me engasgando?
Um colégio que influenciou na construção da minha personalidade, do meu caráter, que acabou com o garoto emotivo, em partes, e ensinou que nem todos são amigos, a maioria, colegas. Lições jamais esquecidas. Minha segunda família.
E agora o que farei sem acordar todos os dias cedo, vestir meu uniforme, olhar meu horário, ir pro Jalles?
Por que tudo passou tão rápido? Coisas que eu queria que durassem a vida toda. As aulas de crônica com a Patrícia, que se tornou grande amiga. Nosso professor Manuel, sempre engraçado e a Preta, toda séria, porém divertida. Aulas no laboratório de química, a explosões de ovos. As fotos com nosso amigo esqueleto.
Quanta falta fará Jalles Machado! Se eu pudesse reviver tudo, não me arrependeria de nada, pois foi onde cresci, onde passei grande parte da minha vida de 16 aniversários. Não quero deixá-lo, de forma alguma, quero agarrar-lhe bem forte e levá-lo comigo pra onde eu for, sem ouvir os outros. Não quero seguir em frente, não estou preparado, o futuro me pegou de surpresa e agora, o que menos quero fazer é viver de lembranças. Adeus grande amigo, sentirei sua falta.

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