27 abril, 2012

Voz em um só parágrafo.

      Linhas, verticais e horizontais. Cantos, refletores, microfone, voz. Voz preventiva, que impulsiona prevenção. Saúde da voz. Riscos chamativos, olhos atraídos, voz calma, serena e sonolenta. Sono - cansaço. Entra e sai, sai, entra. Ninguém fica. Voz-trabalho. Ar condicionado. Reflexão. Publicação. É o fim. Não, fim do começo, começo demorado. Demorou o coral, que belo cantou, maravilhosamente. Me impressionei. Agora enrolam, falando de coisas que não sei. Ainda não cheguei na época de saber. Risadas. Cadeira vazias. Mesa atrativa, flores atrativas. Tudo atrativo, menos o que deveria ser. Cadê, que eu presto atenção? Ah, mas no "coffee break", prestei atenção, como prestei - me corrigindo, não foi bem eu, foi meu "eu estômago", que tem vida própria - comi, comi que comi, até o que não queria, comi. Me enchi, não tinha comida nada antes de sair. É a vida de estudante. Nada de comer. Só xerox, recarregar carteirinha do ônibus, pagar multa de biblioteca. Mas você que está lendo, não pense que comi tudo da mesa e que não sobrou nada... Tenho mesmo essa mania. Mania feia de hipérbole, que me ajuda muito, por sinal. Quando quero algo, exagero, até conseguir/ganhar. Só que não vem ao caso. Enfim, o encerramento, meus olhos já doíam. Rolou até sobremesa, que veio de surpresa. Numa latinha de margarina, um bolo gostoso. Molhadinho, recheado de chocolate e que acaba de me dar água na boca. Delícia. Teve gente olhando, gente que nem parece ser gente. Parecem seres superiores que não usam os dedos pra comer. Ainda tenho traços aqui, traços genéticos, de meus ancestrais das cavernas, e não me importo, agradeço demais. Até que depois fizemos exercícios, pra voz, musculatura dos braços... Maz fizemos, não deixa de ser exercicío. Voltar pra casa, era o que mais queria até então, o calor estava terrível, e eu tinha um pedaço a pé pra percorrer, 48 degraus pra subir (sempre reclamando dos degraus), e a porta pra abrir. Voltar foi sim, o melhor que fizemos. Estavamos de besta, entre amigos, sorrindo e nos aproveitando enquanto há tempo. A voz então, que eu ouvia, era só do coração, pedindo socorro, fadigado e cansado. Voz que logo calou. Cheguei. Descansei. Encerrei a escrita no bloco que ganhei. Isso, ganhei lá mesmo, onde falavam de voz. Vozes que eu não entendia, só me confundiam. Terminei.

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