21 abril, 2012

Tão normal quanto o amanhecer

É tão natural escrever, deixar que a alma me guie, assim como o sol é o guia de cada manhã... Através dos meus sentimentos fixo-me ao papel e permito que as palavras fluam e se encaixem, dando sentido à minha confusão.
Gosto da simplicidade, como as idéias surgem e pedem para serem libertas. Escrever é me libertar de toda angústia e tristeza que as pessoas me presenteiam, mas também, compartilhar minha alegria, meus sorrisos. É analisar minhas mudanças, se progredi, mudei ou não de opinião, amadurei.
Uso do escrever como desabafo, o torno meu diário – o papel e o lápis nunca me deixam só, mesmo quando minto ou forjo qualquer dor.
É como observar a paisagem em uma viagem - afinal não há para onde olhar - ou a noite chegar, o brilho do universo limitado pela janela do meu quarto e pela poeira na atmosfera, o arco íris surgir. Relatar mergulhos borbulhantes na fazenda da vovó, quedas de cavalo, singelos momentos.
Sinto-me obrigado a escrever, descarregar toda carga positiva ou negativa que se agita em mim. O simples fato de grafar interpreta minha relação com as palavras, é algo que vai do real ao surreal, é transcendental, eu não as meço e elas correspondem não me medindo, temos um elo forte.
Mergulhar no mundo das palavras é fácil, apenas uma “de ponta” e já me encontro em casa. Deparo-me com as palavras e elas sabem meus segredos, nosso convívio parece ser milenar. Não preciso ser um mestre, apenas uso meu dom e espalho minhas idéias no papel. A única coisa que não consigo expressar é a dor que só pode ser interpretada pelas lágrimas que fazem do meu rosto mero escorregador.
Minha fragilidade foi de certa forma revertida ao escrever, chorando, pingando dores nos papeis que deixei marcada minha grafia. Sempre sensível, tão atingível... Cresci com os cadernos, todos escritos, rabiscados, tentando da melhor forma expor meus problemas, amarguras, pra que saíssem de minha cabeça e me deixassem em paz.
Agora creio que seja essa minha profissão, escrever. Mostrar a todos como vejo um novo dia chegando, como é pra mim um abraço fiel, a brisa fresca de uma tarde que se vai, em nuances atrás das montanhas douradas. Talvez seja esse meu futuro, escrever, sempre e nunca deixar que se acabe em mim a fonte dos vocábulos, fazendo honroso o meu dom.

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