30 maio, 2012

Prazer, sou o Túnel do Tempo

Conheça bem minha memória, surgida conforme o tempo em resposta à necessidade do arquivamento. Fatos, que um dia tiveram sua importância, mas hoje usam do drama pra explicar a indiferença ao esquecê-los.

Boa dose de recordações que sutilmente me cintilam no olhar, expostas em seções, divida por etapas, repartindo uma só fiada em várias outras, para que entendam como toda existência foi perfeita, se entregando à evolução.

Refletindo a fundo cada episódio, de épocas perdidas, sem volta... Um suspeito museu Alexandrino, que não deixou rastro. Coisas e mistérios que só eu sei. Histórias que facilmente desenrolam... Visitas diárias e um tanto quanto escassas.

Minha “vida” noite e dia é ter anteparo com cada minúsculo detalhe, não deixando que vastas e heróicas memórias se desfaleçam viajando durante décadas. Resguardo sonhos, conquistas e paixões. Guerras e mortes. A queda de Tróia. Mostrando a vocês preciosidades. Meus flertes. Minha querida Mona Lisa.

Lembranças, minhas lembranças, ora pertencentes a povos distintos, mas que agora fazem morada no meu acervo, junto a poeira e as traças. Pedacinhos do mundo, que recontam minuciosamente desde o Big Bang.

Fragmentos com valores específicos, que fizeram rir, refletir e chorar. Obras que nos deixaram cheios de indagação, inexplicáveis. Gênesis de cientistas que se superaram, com loucas teorias buscando a aceitação da sociedade, sonhando com o universalismo e a eternidade de seus nomes.

Do Australopithecus ao Homo sapiens sapiens.  Do surgimento do cérebro à importância da minha memória – clara como faróis – por inúmera riqueza que ninguém possui. O excesso de cultura, cada vez mais esquecida. Que precisa ser buscada, ressuscitada. Minha memória de elefante, capaz de relatar passo a passo, o bipedalismo.

Poderia eu, ser um pequeno museu interiorano, que relata sobre um córrego de poucas águas, onde mulheres lavavam suas roupas. Ou sobre pioneiros que buscavam terra boa e encontram fertilidade para seus cafezais, no meio de um lugar chamado Goiás.

Palavras, estátuas, telas e paredes negras com dores de povos que sonhavam a Lei Áurea.  Correntes e chicotes que século passado feriram e deixaram cicatrizes. O preconceito nos campos de concentração, que matou por uma raça ariana.

“Flashes” de uma população que foi sendo extinta; de pessoas sem pelo, de cabelo liso e cara pintada. Que comiam da terra e bebiam dos rios. Andavam pelados. Viviam em reciprocidade, sem líderes, sem ordens, nem mesmo necessidade de superação. Minhas puras lágrimas derramadas.

A história está em mim, ela foi registrada em minha alma, gravada no meu corpo. Hoje, e sempre servirei a todos que vêm e me buscam como fonte de conhecimento, querendo aprender, aumentar a intelectualidade, fazer descobertas, pois isso é o que sou, ferramenta do futuro, que explica o passado, relíquia que contém toda a passagem da vida pela Terra.


Tema: Museu e Memória - Dia Internacional dos Museus.

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