22 junho, 2012

Conceito meu, felicidade minha

     Oportunistas são insuportáveis, não usaria roupas da moda e assisto filmes ridículos para que minhas risadas liberem endorfina e tenham função rejuvenescedora. Cansei-me da busca excessiva pela felicidade, principalmente quando depositada em outra pessoa, pois ninguém é tão bom que garanta o meu ou o seu contentamento.
     Incrível como conversas sobre felicidade acabam sendo fúteis, com várias e abstratas opiniões, ilusórios argumentos, de pessoas que se veem concretas, em meio à matéria que se decomporá e papéis com marca d’água de garoupa, adquirindo dívidas, mantendo-se em um status que não é fiel ao refletido no espelho.
     Felicidade não é compra – pelo menos os mais velhos dizem que é adquirida pelo tempo, calma e experiência com os erros. Na verdade eu inventei esse pedaço, já que nunca perguntei pra um idoso sobre a felicidade – imagino que também não é ingrediente presente desde o nascimento, pois se fossemos pacote completo, ninguém viveria em busca de nada e não nos entristeceríamos por reles momentos, agiríamos sempre com pulsos de ferro e destreza.
     Devido a complexidade da felicidade, acabo perdendo a sequência e ficando sem ideias. Se ela estivesse comigo agora, eu poderia descrevê-la de forma mais bonita e culta. Como ando sozinho, e pouco a vejo, acabo me entregando a mil amores que me esfacelam sem dó. Até que um meteoro cai e rompe a barreira realidade/amor e desperta a felicidade em gestos simples, sorrisos de rotina, abraços descontraídos, momentos sozinho... Comprovando que não é preciso um amor, mesmo que sempre diagnostiquem as melancólicas fases pela falta de um, não é por ter quem te dê carinho, muito amor, faça cafuné, dê beijinhos e mordidas que os problemas serão resolvidos, talvez eles aumentem.
     Que fique claro, isso aqui é desnecessário. Não é preciso ler até o fim, só tem o que acho e não o que você precisa ler. Uma das melhores receitas, observo por aí, é humilhar o mais “feio”, “pobre” e “gordo”, pois é inaceitável ao homem alegrar-se com as realizações alheias. E como todos são sempre inocentes, juram de pé junto nunca ter feito algo parecido... Eu juro que também nunca fiz. Já sou gordo e feio, não é necessário pisar em ninguém, exceto por comida!
     Concluo, até mesmo me ignorando, por que falo demais, que com minha pequena vivência, o melhor a se fazer é rir dos próprios tombos, fazendo deles impulso para a próxima atitude. Conquistar o desejado sem usar como degraus os companheiros de caminhada, lembrando que a quantidade de sapatos não será critério de classificação no cemitério, todos seremos decompostos e federemos. Como disse Carlos Drummond “ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”.

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