01 agosto, 2012

Tudo sempre do contra


É inaceitável ter que ver os amigos de seis em seis meses. Inaceitável como tomar sorvete com cobertura de limão ou até mesmo chupar cajá sem sal.
Crescer exige que nos despeçamos de tudo que é bom, adotando o que vai levar bom tempo para agradar. Parece com dieta, ter que largar chocolate por alface e café doce por amargo. Acaba também com a parte imaginária, deixando os neurônios transportando apenas estresse. Até que, cansados, parassem e ficasse apenas o lado bobo, que não é engraçado.
Antes, o que poderia ser feito em todas as manhãs de uma longa semana, agora se resume há um dia. E desse dia, algumas poucas horas. Não tem como fazer várias coisas, tudo se torna uma escolha que satisfaça uma suposição do que provavelmente seria bom fazer com o amigo e matar de vez a saudade.
Mas ainda sim existem coisas que superam a vontade do reencontro. O simples fato de você não estar melhor do que estava na despedida. Não falo só psicologicamente, mas fisicamente – não vejo a palavra fisicamente descrevendo só o físico, para mim é um conjunto de tudo, físico = exterior e mente = interior. Sei que não tem nada lógico nisso, já que o “mente” é um sufixo adverbial acrescentado à forma feminina de uma palavra. Mas sempre me soou assim.
Aí você para e pensa, “poxa ela/ele está tão bem. E eu continuo o mesmo”. E nunca satisfaz lembrar que se existe amizade é por haver primeiramente aceitação pelas diferenças e depois compartilhamento, tornando-se então uma única beleza. Bom mesmo é causar expressão de espanto, mas não de espanto ruim, ao ver que algo mudou. Enquanto nada muda e tudo fica na mesma, basta contentar com as velhas expressões e elogios, que de tão ouvidos nem causam mais efeito.

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