14 setembro, 2012

Escritor e Saudades


Escritor sem palavras é tão engraçado, é como palhaço sem graça. Bate um desespero. Não é válido ficar sem escrever, mas nada contribui para que palavras sejam escritas. Como assim? Não escrever, que estranho, deixei tudo de lado, não me dedico mais. Agora é só corpos, articulações, ossos, dúvidas, gastos, fotocópias, mau cheiro, luvas, jaleco e máscaras. É tanta mudança, que chorei no princípio, como se não fosse conseguir ser forte em nenhum dia de minha vida, só que fui me acostumando com a nova rotina e perdendo o jeito de escrever, deixando as idéias confusas, como se por aposição minha criatividade tamanha estivesse amadurecendo e virando responsabilidade com o futuro. Já me preocupo com os pacientes, é incrível. Nunca me senti assim, tão mais flexível. Deve ser por querer ser diferente dos demais, ser além de porto seguro, um amigo. Que me procurem para conversar e desabafar, por confiar em mim. Ou será que é tudo um amolecimento de coração mesmo? Vou virar manteiga derretida? Espera.  Deixa que daqui quatro anos esses sentimentos se resolvem. Prefiro ficar me encantando e contemplando a saudade e suas habilidades.

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