01 outubro, 2012

Leve sono, sonhador


Sorri por estar perdido
Não achei meu caminho
Mas encontrei um beco
Que passa perto de casa
E que dá em um túnel
Se aprofundando, ando
E no subterrâneo escuro
Escavando com toda calma
Cheguei num lugar sombrio
Avistando uma fina fresta
Fria, amarela e distante
Sua posição esclarecia
Sem duvidas um porão
Prossegui, com medo
Barulhos me assustavam
Distantes, ecoavam, avam
Eram ratos, na tubulação
Criaturas medonhas, fedidas
Minhas pegadas eram caladas
E não sabia onde pisar
Não ouvia barulho de gente
Mas poderia ter alguém ali
E meu medo se alimentava
Apalpando objetos e o pó
Cheguei perto de algo
Parecia madeira, corri a mão
Estiquei um dos pés e senti
Acompanhando a fresta, subi
Degrau por degrau e parei
Ruídos chegavam até a porta
Havia gente na casa, rangidos
A maçaneta girou...
Com medo, perdi o fôlego
“E questão não fiz de respirar”
Duplicou-se a fresta, clarão
Estremeci, cai, rolei, bati
De cima, como se flutuasse
Via tudo e nada sentia
Alguém mascarado desceu
Esse alguém me cutucava
Nunca quis tanto estar em casa
De repente algo me puxava
E era forte, rápido e barulhento
Novamente via uma fresta
Mais quente, forte e enérgica
Roboticamente me estiquei
Acertei o celular e ele desligou
Tive que levantar, tinha prova
Foi inevitável naquela manhã.

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