30 dezembro, 2012

Jabuticaba de Gude



_Pula, pega! Tem lá em cima. Ordenou Clemente.
_Já pulei, mas não consigo segurar! Exclamou Olívia, em ar de desistência.
_Agora todas caíram e não vi onde. Disse Clemente, um pouco alterado.
_Tira do chão! Gritou Mariana. Vão sujar de terra.
_Busca lá, rolaram todas! Disse Clemente.
_Cansei, não acho! Reclamou Augusto. Misturaram com as podres.
_Bate no galho, que cai mais. E presta atenção gente! Gesticulando, disse Clemente.
_Alí, caiu uma grande, deve estar docinha. Apontou Augusto, para perto de Mariana.
_Nossa estão bonitas, muito bem polidas. Reparou Clemente.
_Foi a chuva de ontem, certeza! Afirmou Mariana, com voz de sabedoria.
_Uma pena estarem pequenas e azedas. Com ar de insignificância, disse Clemente.
_Não consigo chupar isso. Como faz? De testa enrugada, perguntou Mariana.
_Morde, estoura, chupa, joga a casca fora. Disse Clemente.
_Ah, engole o caroço. Risos. Aconselhou Augusto.
_Pronto, vamos, enchi a bacia. Disse Clemente, como quem tem pressa.
_Espera não corre, eu também quero!!! Gritou Olívia.
_Não, vou chupar todas, sozinho. Não divido! Com malandragem, Clemente saiu correndo.
_Ridico, volta aqui, reparti com a gente. Implorou Mariana.
_Só se me alcançarem... Corre. Com a voz distante, gritou Clemente.
_Ah, droga, caiu tudo. Decepcionado, arrasado, lastimado, disse Clemente, em voz baixa.
_Tá vendo, não dividiu. Bem feito, você tinha que ter caído junto. Com voz de quem já comeu em prato frio e gosta quando comam também, disse Augusto, um ótimo amigo.

Um comentário: