09 novembro, 2014

É como ir para não voltar
Perder-se em labirintos
Rodear vagarosamente
A mesma maldita árvore
Olhar as mesmas pessoas
Viver os mesmos fatos
Rir das mesmas piadas
Piadas sem graça de sempre.
É ver a fumaça do trem
Que vem chegando à estação
E não partir nele.
Deixá-lo seguir sozinho
Seguir os trilhos alaranjados
Enferrujados pelo tempo
Que passou, voou...
Não esperou a preguiça
Partiu com quem queria viver
Experimentar sabores novos.
Enquanto os outros ficaram,
Olhando com olhares vazios
Os sorrisos estampados, preenchidos
Na cara de quem seguiu o trem.
Que esqueceu a monotonia
E preferiu dar a mão para um estranho
Arriscar e se decepcionar
Mas nunca deixar que a vida passe

Por si só, despercebida.

25 agosto, 2014

Se amanhã o sol não aparecer
Deixe que eu seja a sua lua
Pois aqui será sempre escuro
E lá o tempo será claro demais.
O meu brilho iluminará seus olhos
E quando me olhar, te fascinarei.
Serei seu guia e não se perderá
Mas precisa confiar, sei aonde vou.
Posso me perder pelo caminho
E ainda alcançaremos o destino juntos.
Posso ser ofuscada e talvez sumir,
Pois fique sabendo que estarei sempre lá
Mesmo que atrás de uma nuvem.
E quando chover por muito tempo
Depois que parar de trovejar e relampejar
Olhe para o céu, sorrirei branca e redonda.
No entanto, entenda... Vez ou outra
Ficarei avermelhada, mas não tenha medo
É só me chamar, que o som da sua voz me acalmará
Também ficarei longe por um tempo, são fases
E só o seu amor me fará retornar
Pois teremos um elo de pura luz
Que me buscará quando você mais precisar
Mas caso o sol apareça amanhã, amor

Seja paciente e espere o luar voltar.

05 agosto, 2014

Última Dança

Eram pulmões cheios
Cheios de água do lago
Lago frio, fundo e carregado.
Carregado de almas
Almas perdidas, bem ali.
Ali que era refugio
Refugio dos apaixonados
Apaixonados pela mãe
Mãe verde e radiante
Radiante de louvor
Louvor dos que ali viviam
Vivos por sua arché
Arché florida naquela estação
Estação tropical, flamejante.
Flamejante era a dança
Dança quente e envolvente
Envolvendo os cata-ventos
Cata-ventos dobrados delicadamente
Delicados namorados do vento
Vento que os excitava
Excitava-os todas as noites
Noites de dedicação
Dedicação pura ao espírito
Espírito esse, livre.
Livre de consciência
Consciente e apto para voar
Voar solto no mato
Mato que esconde os pulmões
Pulmões mortos de amor.
Num cubo branco enlouqueço
Milimetricamente a voz ecoa
Seu som distorce o que acredito ser
Há um vazio dentro do cubículo
Sem referências a mobília ou gente
Falo do coração, batendo sem sangue
Parece sem motivo o seu pulsar.
O eco da minha voz ressoa dentro dele
Suas vibrações me distorcem a audição
Ouvi que vinha me visitar ontem à noite
Inclusive havia sonhado com seu perfume
Quando abri os olhos essa manhã, só vi claridão.
Dê-me a liberdade de viver na verdadeira luz
O branco das seis faces é profundo para mim
Confundem meus sentidos e me fazem delirar
Preciso de cores rasas e frescos ares para respirar.

19 janeiro, 2014

Dores de Amor

Parecia noite naquele quarto escuro, mas era dia do lado de fora.
Confusa com o tempo, ela dormia e acordava, acordava e dormia.
Com o remédio do lado, 1, 2, 3 comprimidos para voltar aos sonhos.
Mergulhando nos mais profundos desejos e deles preferindo não sair.

17 janeiro, 2014

Duo da Morte

I

O mar escurecia em nuances azuis, através de seu infinito
Estava rodeado de bolhas, Eu via desespero em seus olhos
Debatia-se contra a água, lutava para que seu pulmão
Não se invadisse de morte a cada tentativa de viver,
Minhas mãos não chegavam até você, não podia tirá-lo daquele sufoco
O desespero me tomava a cabeça, você se distanciava de mim,
Eu não podia alcançá-lo e isso era pungente
Como se duas mãos entrelaçassem meu pescoço,
A água tomava meu corpo e, numa valsa mortífera
Me entregava de vez à morte, que me esperava, logo  em frente
Prestes ao último passo da dança fria, com a alma dancei.
E ela se foi. Entreguei-a ao profundo oceano no qual mergulhei.

II

Meu passado, eu vi o sol nascer no infinito
Agora no limbo, vivo momentos que nunca vivi com clareza
Recordo e entendo o introito preso numa obra de Salvador Dalí
Num momento estar e no outro se desfazer,
Contra a memória lutar, no vácuo de almas retorcer
Cargas d' águas derramadas dos olhos próximos
Sem tempo, sem sopros, sem tratos soluços e choros distantes,
Integérrimos vagando entre corpos estupefatos
Sincronia de tons pretos e cinzas remoendo dentro do ser
Afogando males e sentimentos ranzinzas
Estar debaixo do véu, adormecer.



Tarcísio, obrigado por colaborar (parte II) e,
se entregar ao doce gosto da Morte!

15 janeiro, 2014

2 cartas de amor

Me fiz cavalheiro diante os teus pés, deixei que passasse sobre minha capa naquele dia de chuva e carreguei-a sobre meu ombro quando seus pés doeram, mas nunca tive coragem de revelar o quanto amo o seu sorriso e a sua companhia. Oportunidades sempre surgiram, mas me afogava na vergonha de escutar algo indesejável e no medo de perder a oportunidade de te olhar no dia seguinte. Eu não saberia viver sem tua amizade, sem sua cumplicidade. Você me completa e isso é óbvio demais, como não percebeu que te quero tanto assim? Não faz mais sentido, guardar algo que pode ser compartilhado e completo com você. Meu sorriso sem graça deveria ter transmitido algo, minha mão fria e o coração pouco acelerado ao sentir teu abraço. Você me transforma em um cara inseguro, que teme seu olhar sério e em sincronia, me sinto o cara mais forte ao ouvir tua voz. Tua bela voz. Tudo passa longe de carnal, é muito mais energia, muito mais por te sentir, mesmo que através de uma embaraçosa lembrança, ou pelo cheiro do teu perfume na gola da minha camisa. Você me salva de mim. Eu gosto, assim. Espero que entenda, verdadeiramente, a intensidade de todas as vezes que disse te amo.

                                                                               *

Eis que, em meio a diferenças, surgiu um lírio branco, denominado paz. E eu o denominei assim, pois é como me sinto estando junto a você, cheio de paz. Você me transmite segurança... Talvez seja o jeito como me olha, ou a forma como me abraça, faz-me ser quem eu não esperava ser, um amante, um admirador, um mero apaixonado. Apaixonado pelos simples momentos que estamos juntos, por quando pegamos nas mãos e sinto seu calor. Apaixonado por todas as vezes que olha nos meus olhos e diz que ama, pois sinto sinceridade ao ler seu corpo. Não me perco mais durantes as noites, pois é meu guia e a luz que tem me dado força.  Força para manter-me bem para você, e fazê-lo tão feliz quanto estou. Talvez, por sermos tão parecidos, é que o desejo mais, pois me completa de uma forma sublime. E era o que eu esperava, buscava e não encontrava. Hoje tenho você, para me fazer rir feito bobo, me preocupar, para amar e me sentir amado. E sentir ciúme, pois tenho alguém para dizer que é todo meu. 

11 janeiro, 2014

Tem Gente



Tem gente que passa por nós
E deixa açúcar como trilha.

Gente que é carinhosa ao falar,
Abraça ao sorrir e afaga ao olhar.

Gente que deixa o ambiente feliz
E melhora o astral de todo mundo.

Aquela pessoa que se morasse com a gente,
Livraria-nos de comprar cristal ou sal grosso,
Pois, é equilíbrio em carne e osso.

Que não precisa dizer nada para entendermos cada palavra que quer dizer,
Pois, derrama do olhar mensagens bonitas de amor.

É gente do bem, que veio sem asa e auréola,
Mas com o coração gigante
Que engole todo mundo e envolve de proteção.

Gente que parece oração:
Anda distribuindo paz e só quer o bem.

Gente que tem corpo de poesia:
Se entrega, desenha ao andar e sabe dançar.

Aquela pessoa que tem toda paciência para te ouvir,
Que de noite deita sob o luar, conta estrelas
E balança no balanço velho da árvore mais alta do jardim.

É aquele que sabe todas as constelações
E fica tentando te ensinar.

Gente que espera dar madrugada para:
Mandar mensagem com coração no final
E te oferecer a Lua, toda vez que ela está cheia.

É gente que fica com as bochechas rosadas sempre que está com vergonha
E solta um sorriso sem graça, de lado, para disfarçar.

Gente que quer conhecer o universo
E tem móbile do Sistema Solar pendurado no quarto.

É o tipo de pessoa que escreve cartas, cheira marshmallow
E é romântica, dá beijo no rosto e sorri o tempo todo.

É aquela pessoa que você não quer largar.
Que te entende com o olhar, sabe quando está mal e fica do seu lado.

Seria a pessoa perfeita para passar o resto da vida...
A pessoa que mereceria o coração da gente de presente.

É o tipo de pessoa que se ama de verdade,
Que roubamos, colocamos em um pote e guardamos com a gente, para sempre.