17 janeiro, 2014

Duo da Morte

I

O mar escurecia em nuances azuis, através de seu infinito
Estava rodeado de bolhas, Eu via desespero em seus olhos
Debatia-se contra a água, lutava para que seu pulmão
Não se invadisse de morte a cada tentativa de viver,
Minhas mãos não chegavam até você, não podia tirá-lo daquele sufoco
O desespero me tomava a cabeça, você se distanciava de mim,
Eu não podia alcançá-lo e isso era pungente
Como se duas mãos entrelaçassem meu pescoço,
A água tomava meu corpo e, numa valsa mortífera
Me entregava de vez à morte, que me esperava, logo  em frente
Prestes ao último passo da dança fria, com a alma dancei.
E ela se foi. Entreguei-a ao profundo oceano no qual mergulhei.

II

Meu passado, eu vi o sol nascer no infinito
Agora no limbo, vivo momentos que nunca vivi com clareza
Recordo e entendo o introito preso numa obra de Salvador Dalí
Num momento estar e no outro se desfazer,
Contra a memória lutar, no vácuo de almas retorcer
Cargas d' águas derramadas dos olhos próximos
Sem tempo, sem sopros, sem tratos soluços e choros distantes,
Integérrimos vagando entre corpos estupefatos
Sincronia de tons pretos e cinzas remoendo dentro do ser
Afogando males e sentimentos ranzinzas
Estar debaixo do véu, adormecer.



Tarcísio, obrigado por colaborar (parte II) e,
se entregar ao doce gosto da Morte!

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