25 agosto, 2014

Se amanhã o sol não aparecer
Deixe que eu seja a sua lua
Pois aqui será sempre escuro
E lá o tempo será claro demais.
O meu brilho iluminará seus olhos
E quando me olhar, te fascinarei.
Serei seu guia e não se perderá
Mas precisa confiar, sei aonde vou.
Posso me perder pelo caminho
E ainda alcançaremos o destino juntos.
Posso ser ofuscada e talvez sumir,
Pois fique sabendo que estarei sempre lá
Mesmo que atrás de uma nuvem.
E quando chover por muito tempo
Depois que parar de trovejar e relampejar
Olhe para o céu, sorrirei branca e redonda.
No entanto, entenda... Vez ou outra
Ficarei avermelhada, mas não tenha medo
É só me chamar, que o som da sua voz me acalmará
Também ficarei longe por um tempo, são fases
E só o seu amor me fará retornar
Pois teremos um elo de pura luz
Que me buscará quando você mais precisar
Mas caso o sol apareça amanhã, amor

Seja paciente e espere o luar voltar.

05 agosto, 2014

Última Dança

Eram pulmões cheios
Cheios de água do lago
Lago frio, fundo e carregado.
Carregado de almas
Almas perdidas, bem ali.
Ali que era refugio
Refugio dos apaixonados
Apaixonados pela mãe
Mãe verde e radiante
Radiante de louvor
Louvor dos que ali viviam
Vivos por sua arché
Arché florida naquela estação
Estação tropical, flamejante.
Flamejante era a dança
Dança quente e envolvente
Envolvendo os cata-ventos
Cata-ventos dobrados delicadamente
Delicados namorados do vento
Vento que os excitava
Excitava-os todas as noites
Noites de dedicação
Dedicação pura ao espírito
Espírito esse, livre.
Livre de consciência
Consciente e apto para voar
Voar solto no mato
Mato que esconde os pulmões
Pulmões mortos de amor.
Num cubo branco enlouqueço
Milimetricamente a voz ecoa
Seu som distorce o que acredito ser
Há um vazio dentro do cubículo
Sem referências a mobília ou gente
Falo do coração, batendo sem sangue
Parece sem motivo o seu pulsar.
O eco da minha voz ressoa dentro dele
Suas vibrações me distorcem a audição
Ouvi que vinha me visitar ontem à noite
Inclusive havia sonhado com seu perfume
Quando abri os olhos essa manhã, só vi claridão.
Dê-me a liberdade de viver na verdadeira luz
O branco das seis faces é profundo para mim
Confundem meus sentidos e me fazem delirar
Preciso de cores rasas e frescos ares para respirar.