09 novembro, 2014

É como ir para não voltar
Perder-se em labirintos
Rodear vagarosamente
A mesma maldita árvore
Olhar as mesmas pessoas
Viver os mesmos fatos
Rir das mesmas piadas
Piadas sem graça de sempre.
É ver a fumaça do trem
Que vem chegando à estação
E não partir nele.
Deixá-lo seguir sozinho
Seguir os trilhos alaranjados
Enferrujados pelo tempo
Que passou, voou...
Não esperou a preguiça
Partiu com quem queria viver
Experimentar sabores novos.
Enquanto os outros ficaram,
Olhando com olhares vazios
Os sorrisos estampados, preenchidos
Na cara de quem seguiu o trem.
Que esqueceu a monotonia
E preferiu dar a mão para um estranho
Arriscar e se decepcionar
Mas nunca deixar que a vida passe

Por si só, despercebida.