13 agosto, 2017

No fogo daquela noite me perdi no seu olhar, que dizia ferozmente a fome que sentia de mim. Nas chamas que dali me atraiam, me envolvi e me entreguei, pois seu domínio era o que me supriria. E pós abstinência de você, pouco importava me conter. Solto de mim, mas preso em seu corpo, num ritmo libidinoso, dancei aquele som que aprendi com você. Suas mãos ainda perdidas em mim, encaixavam-se aos poucos nos vazios do meu desejo e  preenchiam cada espaço mal elaborado em mim. E desses espaços inabitados por mim, surgiram ondas de arrepios que passaram a me controlar. Mais uma vez, me perdi no espaço e meus limites se confundiram com os seus, quando em mim se meteu e sorriu.

09 agosto, 2017

Sentado no bar, pensei em você. Mas não pense que bebi, pelo contrário, me embriaguei de você. E sem conseguir conter, lágrimas começaram a escorrer. sem poder disfarçar, pedi tequila e disse que era de amor que eu chorava. Pois depois de bêbado, poderia, sem medo, desabafar.

22 junho, 2017

Foram falas de filmes e fotografias
sobre escuro, claro e amor
no meio tempo de abrir ou não
de manter fechado ou sorrir
me vi jogado em campo macio
que tomava meu corpo 
que nada sutil se entregava
àqueles olhos castanhos
que ali de perto me comiam
e diziam certos do que viam
o tesão que me consumia

27 maio, 2017

16 março, 2017

Achei que era estrela cadente
 mas era avião, me enganei
fiz um pedido, o desperdicei
FORTE
QUENTE
RÁPIDO

LATEJA
EXPULSA
GEME

ESCORRE
GRUDA
CHEIRA

ESPALHA
LAMBE
BEIJA

LIMPA,
SECA 
OU LAVA

AMANSA
ABRAÇA
DESCANSA

01 março, 2017

"E o que será de nós?" 
Perguntou.
"Vamos continuar, mas não será fácil"
Eu disse.
Os olhos se fecharam, adormeceram
As lágrimas se cristalizaram
E por um tempo, ali, doeram
O sol raiou e foi hora de dizer
Mas dizer o quê?          
Talvez, o que eu mais queria
Mas no silêncio doído que se fazia
Para trás ficou o último abraço
De pé, me vendo partir, guardado.

28 fevereiro, 2017

Ontem foi igual hoje
Hoje é o mesmo que amanhã
Um coração aqui, outro ali
Um desalmado cá, outro de lá
Sempre o mesmo tictaquear
Frio cedo, sol, chuva crepuscular
Muita gente que gosta de brincar
Um playground grande para se deliciar
Sobe e desce, gira e para, vai e vem
Meia volta no repeat, meu bem
Moleque louco é o que mais tem
Não se engane com sorrisos e flores
Incisivos limpos e molares podres
Olhos negros cegos cheios de desamores
Sem empatia com seu  joelho ralado
Querem é foder você de lado
De forma seca,  dura e latejante
Há apenas ereção, quiçá tesão
É só pau querendo ser gente
Brincando infeliz e sempre impaciente
Chegam, tomam e mentem
Vão embora antes que peça que se sentem
Mas não espere muito, eles nao se ressentem
É lugar de malandro, se criam em bando
Modificados para serem safados
O ingresso custa sua ingenuidade
Pois se aprende a malícia e a sagacidade
Antes de alguém te comer, não fique de quatro
Corra, fuja para longe daqui
O amor não se encontra nessa cidade!

15 fevereiro, 2017

Contemple o sol vivo dentro de si
Desperte-se uma radiante manhã
Preencha de calor o seu sorriso
Ilumine-se de áureas labaredas
Seja própria luz de seus caminhos
Forte muralha de energia fluida
Contamine com a luz do seu olhar
Transcenda o equilíbrio que há em ti
Alegra seu coração com paz
E distribua amor por onde passar




13 fevereiro, 2017

Era tristeza ali
Talvez sadismo
Era necessidade
Uma loucura
Queria prazer
Jogava assim:
“Bate aqui
Xinga dali”
Humilhação
Hematoma
Nada no corpo
Nada visual
Era na alma
Tudo interno
Tudo obscuro
Era vítima
Sofria calado
Arisco
Arrepiado 
Tentativas diárias
de um amor frustrado